10 Anos Após Remoção Mais Conhecida do Rio Pré-Olímpico, Mutirão de Protagonismo Feminino Cuida da Memória da Vila Autódromo
Dez anos após a conclusão do período traumático de remoções olímpicas no Rio de Janeiro, que impactou 80,000 pessoas em toda a cidade, a comunidade Vila Autódromo, na Zona Sudoeste ao lado do Parque Olímpico, continua como referência de luta. Das 600-700 famílias que moravam no local antes das Olimpíadas de 2016, ao final permaneceram 3%, ou 20. E mais de 80% da área original hoje é coberta por capim e árvores, manutenção que cai sobre os moradores remanescentes.
Na manhã de sábado, dia 11 de abril, uma ação coletiva de cuidado—tradição de longa data—em uma área verde da comunidade evidenciou a mobilização em prol do local e do Museu das Remoções. O mutirão representa o cuidado com a memória do território e se coloca como uma resposta à falta de cuidados por parte da Prefeitura. Moradores, voluntários e parceiros se reuniram para garantir, com as próprias mãos, a manutenção do percurso expositivo do Museu das Remoções. A atividade integrou a Agenda Coletiva da Rede Favela Sustentável.*
“Em maio, a gente tem a comemoração de dez anos da permanência da comunidade. Dez anos dessa vitória da Vila Autódromo! A gente tem [também] a comemoração dos dez anos da criação do Museu das Remoções e a gente tem um percurso de memórias construído pelo museu, que é uma iniciativa premiada pelo IPHAN e visitada internacionalmente. Mas o percurso estava encoberto pelo mato, por falta de manutenção da Comlurb. Essa é uma forma de gerar uma sensação de abandono e de insegurança. [Por isso estamos aqui hoje capinando e limpando, para realizar a comemoração!]” — Sandra Maria

