‘A Gente Tá Plantando o Futuro’: Mutirão de Reflorestamento no Salgueiro Recupera Área de Queimada e com Risco de Deslizamento com Árvores Frutíferas Nativas da Mata Atlântica
No dia 7 de dezembro, agentes ambientais, mobilizadores locais, moradores e visitantes se reuniram no Morro do Salgueiro, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, para um mutirão de replantio na região de Mata Atlântica da comunidade. Realizada pelo núcleo do Movimento Regenerativo Tempo de Plantar do próprio Salgueiro, a atividade fez parte da Agenda Coletiva da Rede Favela Sustentável (RFS)*, tendo como intuito recuperar a região chamada Caixa D’água de Faustino. Localizada em um dos pontos mais altos do Salgueiro, a área de replantio é frequentemente afetada por queimadas e sujeita a deslizamentos.
Robson Basílio, morador responsável do Tempo de Plantar do Salgueiro, explica que esta ação é fundamental para reduzir o calor e evitar deslizamentos na comunidade, eventos comuns na região durante o verão.
“A gente vem, planta… Sempre tô arrumando mudas de árvores e plantando, mesmo sem ação. Tô mais de 20 anos nisso aí, nessa correria aí. A gente procura sempre plantar. Eu chego com 10 mudinhas, cinco, vou lá [plantar ao longo da comunidade] e pronto. Não podemos deixar lugares sem elas, porque, quando nós chegamos ao mundo, elas já estavam aqui. Então, a gente tem que preservar.” — Robson Basílio
Saberes Ancestrais e Laços Comunitários Germinam na Horta Social do Complexo do Arará com Objetivo de ‘Resgatar a Ancestralidade… Trazê-los para uma Lógica de Integração com a Natureza’
A comunidade do Parque Arará, no Complexo do Arará em Benfica, Zona Norte do Rio de Janeiro, reuniu-se na manhã do 07 de outubro para um mutirão de plantio de mudas e uma ação de fortalecimento de sua educação socioambiental. Desenvolvida pelo Movimento Mulheres Parque Horácio em parceria com a Clínica da Família Medalhista Olímpico Maurício Silva, a atividade proporcionou à comunidade uma potente troca de conhecimentos sobre agroecologia e ervas medicinais: tudo na Horta Social Lilian Cecília, um espaço verde em meio à favela.
Integrando a Agenda Coletiva da Rede Favela Sustentável*, a atividade contou com o apoio de aliados técnicos, como professores e pesquisadores, somando com os moradores e mobilizadores do Complexo do Arará. Maria Aparecida Vieira, ou Tia Cida, como é conhecida a mobilizadora comunitária e fundadora do Movimento Mulheres Parque Horácio, explica as origens do projeto.
“Eu que trouxe a horta para cá. Eu sou uma liderança comunitária e eu tenho um projeto no Parque Horácio, que é o Movimento de Mulheres do Parque Horácio. O professor Sérgio Anversa nos ajudou a iniciar a horta, e agora a gente vai dar continuidade. A horta é da gente, daqui da comunidade, são plantas medicinais.” — Maria Aparecida Vieira
‘Só Vamos Conseguir Juntos. Isolado, a Gente É Fraco’: Mutirão de Limpeza Recupera Espaço Verde no Complexo da Coreia
No dia 21 de setembro, o Complexo da Coreia, Senador Camará, Zona Oeste do Rio de Janeiro, realizou um mutirão de limpeza no espaço verde do Caminho Anes Dias. A atividade contou com membros da Tropa do Amor, projeto socioambiental do complexo, membros da Terra Afetiva, e voluntários moradores do território e de fora. A atividade, que também incluiu um sarau cultural, integrou a Virada Cultural Amazônia de Pé 2025 e a Agenda Coletiva da Rede Favela Sustentável*.
Apesar do dia quente e ensolarado de domingo, não faltou disposição entre os participantes, que começaram a todo vapor com a retirada de resíduos do Caminho Anes Dias. A ideia inicial da atividade, era preparar o espaço para receber mudas de árvores frutíferas e transformá-lo em um ambiente de lazer para seus vizinhos.
Fernando dos Santos, mobilizador local e integrante da Terra Afetiva e da Tropa do Amor, conta como idealizaram a iniciativa.
“Eu já trabalho com cultura há algum tempo. Sou músico, trabalho com arte, e também já pesquisava e mexia com horta, com medicina ancestral também. Comecei a movimentar agora a ecologia aqui na área, que tem pouco projeto, que não tem muita ação desse tipo. Essa primeira ação a gente está visando limpar a área, tirar o lixo e plantar mudas, frutíferas, justamente para… as crianças colherem, e acima de tudo para incentivar também um cuidado coletivo com a área. Essa é uma área que não tem nenhuma praça, é uma rua sem saída, meio isolada. No final tem umas áreas verdes, [sem] brinquedo. A gente está visando também melhorar [neste sentido].” — Fernando dos Santos
‘Lixo? Não é Lixo!’ Mutirão Ambiental em Barros Filho Denuncia Descaso Público e Propõe Lixo Como Fonte de Renda
Em 2025, o 1° de maio, o Dia do Trabalhador foi diferente no Conjunto Residencial Haroldo de Andrade, em Barros Filho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Reunindo cerca de 30 pessoas, entre elas homens e mulheres, adultos e crianças, moradores e participantes de movimentos e organizações ambientais, o mutirão “Lixo? Não é lixo!” recolheu 15 sacos de 200 litros com resíduos sólidos e seis sacos com resíduos recicláveis no entorno do conjunto residencial. Além disso, o mutirão promoveu o plantio de 29 mudas de árvores frutíferas, duas mudas de Pau-Brasil e dois canteiros de coentro no espaço agroambiental da comunidade, onde é feito o reaproveitamento de resíduos para plantio.
Segundo Nélio Lopes, responsável pelo Projeto Socioeducativo Sustentável Haroldo de Andrade (PSSHA), a iniciativa teve por objetivo reivindicar a prestação do serviço de coleta na conjunto residencial, que sofre com o descaso da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
“Devido a esse abandono do governo e a falta de uma liderança, nós estamos hoje passando por um grande problema, que é a questão do lixo. E eu não culpo os moradores pela questão do lixo estar tão abandonada [sem o descarte correto por parte da comunidade], porque nós não temos os contêineres de lixo da Prefeitura.” — Nélio Lopes
A Gente Só Tem Dignidade Quando a Favela e a Comunidade Se Tornam Sustentáveis’: Mutirão Preserva Agrofloresta no Morro da Providência
A agrofloresta do Morro da Providência, no Centro do Rio, pulsa com mais saúde desde 12 de julho. Nesta data, o espaço comum da comunidade, conhecido como Java, recebeu um mutirão de limpeza e manutenção organizado por integrantes da Providência Agroecológica. Divulgado pela Agenda Coletiva da Rede Favela Sustentável* e outros coletivos, a ação contou também com o apoio de uma agente comunitária da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima e agentes de limpeza da Comlurb. Ao final do mutirão, 20 sacos de lixo foram retirados da agrofloresta.
Desde 2013, a Providência Agroecológica desenvolve o território e fortelece o pertencimento dos moradores do Morro da Providência. Sua sede conta com mais de 1.200 espécies vegetais. Articulando o desenvolvimento comunitário com agroecologia, educação socioambiental, saúde e bem-estar da comunidade, o projeto é coordenado por Alessandra Roque, mateira e raizeira, moradora da Providência desde 1997, e Lorena Portela, engenheira ambiental de Niterói. A sede é situada em um espaço verde acima do Túnel João Ricardo. Alessandra explica a dinâmica dos mutirões de limpeza, que acontecem mensalmente com o objetivo de manutenção do espaço.
“Aqui, como é aberto para todas as pessoas, é mais difícil manter limpo… É um trabalho de formiguinha: uma vez por mês a gente faz o mutirão. Cada mês depende muito: o mês [que] tem muita gente no mutirão, a gente tira muita coisa. O mês que tem pouca [gente], a gente tira menos, porque é um trabalho muito cansativo. Abaixa, levanta, abaixa, levanta e o peso… No mês passado, a gente teve [mais] ajuda e aí a gente tirou 68 sacos de lixo, incluindo os entulhos… Se você levar em conta que a gente não deixa aumentar [a quantidade de lixo], já está de bom tamanho.” — Alessandra Roque
O mutirão se dedicou à retirada de lixo inorgânico, como sacolas e embalagens plásticas. Os materiais orgânicos, como sobras de capina e podas de árvores, permanecem no espaço, sendo reutilizados como adubo pelas próprias plantas da agrofloresta.
O trabalho de limpeza e manutenção da agrofloresta encontra muitos desafios. Alessandra enumera dificuldades com alguns moradores, pessoas em situação de rua e com o poder público. Durante o mutirão, ela denunciou o descaso de uma obra recente da Prefeitura, que, ao construir um corrimão para a escada de acesso à comunidade, deixou lixo no canteiro.

