Cozinha Solidária e Escola Social, ‘Doces Lembranças por Claudia Queiroga’, Alimenta Corpos e Almas na Baixada Fluminense
No terraço da Cozinha Escola Social, Claudia fala dos sonhos e ideias verdes que tem para o futuro—tudo com o intuito de envolver o bairro e tornar o espaço comunitário. Foto: Pauline Okyere
Iniciativa: Doces Lembranças por Claudia Queiroga
Contato: Instagram| LinkedIn | WhatsApp +55 (21) 964368724
Ano de Fundação: 2012
Comunidade: Nova Campinas, Duque de Caxias
Missão: Transformar vidas por meio do aproveitamento integral dos alimentos e uma base nutricional forte.
Eventos Públicos: Em cooperação com outras organizações e como parte de seu conceito, a empresa Doces Lembranças por Claudia Queiroga pode ser encontrada em vários eventos e seletivamente em diversas localidades do Grande Rio. Entre suas atividades principais, atua nos jantares solidários do Reffetorio Gastromotiva e faz parte do Catálogo de Saúde da Fiocruz Manguinhos, onde produz o almoço do refeitório da ENSP fazendo inclusão da jaca verde em pratos salgados e cogumelos. Confira as redes sociais para obter mais informações sobre os próximos eventos e locais.
Como Contribuir: Torne-se um patrocinador, seja voluntário na Cozinha Escola Social em Nova Campinas, doe equipamentos para a cozinha, para as demais salas ou para as atividades do espaço comunitário. Importantes parceiros atuais que contribuem com insumos alimentares e educativos são o Reffetorio Gastromotiva, Instituto Mão na Jaca, Fazenda Eldorado, UAI Tofú e Embrapa Solos & Escola.
Essa semana, no dia 25 de janeiro de 2026, a Cozinha Escola Social do Doces Lembranças por Claudia Queiroga faz um ano oferecendo formação em culinária para pessoas de baixa renda. O projeto de cozinha solidária oferece oportunidades, sonhos e transformação social para moradores de Nova Campinas, bairro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Criado por Claudia Queiroga, empreendedora e cozinheira formada pela ONG Gastromotiva, além dos cursos, a iniciativa realiza serviços de buffet e doa alimentos para eventos sociais e para pessoas em situação de vulnerabilidade. A distância até a capital torna o acesso a oportunidades e sonhos para moradores da região mais difícil—seja pelo custo do transporte, seja pela falta de informações sobre alternativas gratuitas. O Doces Lembranças busca dissolver essas barreiras por meio da profissionalização gastronômica, muitas vezes elitizada e inacessível, trazendo também uma perspectiva social e ecológica à cozinha.
Raízes, Doçuras e Começos
O Doces Lembranças surgiu formalmente em 2012, quando Claudia Queiroga trabalhava como contadora em um emprego estável. O nome do projeto nasceu da memória afetiva que traz da infância, vivida em meio a uma família de sambistas.
“Meus avós maternos eram parte da escola de samba da Mangueira e as escolas de samba têm muito a tradição de fazer feijoada. Antigamente a tradição era ter sempre comida farta.” — Claudia Queiroga
Mesmo tendo registrado o projeto, o sonho de transformá-lo em algo maior ficou adormecido por alguns anos. Ele ganhou novo impulso em 2016, quando o filho de Claudia começou a se profissionalizar no wrestling, a luta olímpica. Para apoiá-lo—ele havia ganhado uma bolsa—Claudia deixou o emprego e mergulhou de cabeça em uma nova fase.
Durante as Olimpíadas do Rio, Claudia integrou a equipe de apoio da Confederação Brasileira de Wrestling, tornando-se cozinheira dos jovens atletas. A experiência trouxe orgulho, mas também um período de instabilidade financeira.
Em 2019, porém, Claudia decidiu virar o jogo: inscreveu a receita de bolo de pote da sua avó no Empretec, programa de formação do Sebrae voltado para empreendedores. Recebeu uma bolsa de 30% e que ao longo da formação subiu para 100%—mas ainda precisava enfrentar os custos de deslocamento e alimentação para participar do curso.
“Eu pegava o cartão [de passagem] com meu marido. Ia com ele de manhã, levava uma banana, maçã, biscoitinho e uma garrafinha de água e ia para o Centro do Rio. Aí, lá eu ficava numa área de convivência do Sebrae [local do curso], levava um livro e ficava lendo até a hora da aula, porque aí eu só gastava dinheiro com a [passagem] de volta. Às vezes eu tinha que ir todo dia. Fazia essa jornada acreditando que tudo ia melhorar.” — Claudia Queiroga

