Movimentos de Favelas, Indígenas, Quilombolas, Ribeirinhos e Outros Periféricos do Poder Ocupam Belém Durante a COP30

As manchetes desde a 30ª Conferência do Clima (COP30) em Belém deram destaque às trocas diplomáticas dos governantes e autoridades mundiais na Zona Azul, em particular à falta de um acordo em relação a combustíveis fósseis, desmatamento e financiamento para adaptação. Foram relatados avanços pontuais importantes nas discussões em relação à crise climática, mantendo-se a direção do Acordo de Paris, mas estes não são suficientes para impedir o aumento das mudanças climáticas e, consequentemente, da emergência climática.

Enquanto isso, o que pode ter sido o impacto de maior relevância da COP30 foi pouco registrado como tal nas mídias nacionais e internacionais: a maior participação da sociedade civil na história das COPs e a significância dos seus efeitos cascata que se pôde perceber claramente ao longo do evento. Belém vibrou, durante duas semanas intensas, sob a presença de uma diversidade colorida e pulsante de coletivos provenientes de cada canto, povo e região do Brasil.

Os movimentos de periferias do poder, entre elas uma pluralidade de tribos indígenas—com 5000 indígenas presentes, 400 com acesso à Zona Azul, maior número da história—quilombolas, ribeirinhos e comunidades urbanas, estiveram o tempo todo trocando intensamente. Foram histórias a partir de suas bases e experiências, estratégias de mobilização, dados coletados pelos próprios movimentos, cartas e manifestos, contatos e inspiração: elementos fundamentais para o sustento e crescimento urgente da pauta que determinará a qualidade de vida de todos os seres terrestres que estão e virão.

“A conferência do clima da ONU em Belém entrou para a história como a edição com maior participação indígena já registrada… Os povos indígenas são guardiões do território, do meio ambiente e da vida… O reconhecimento desse protagonismo é essencial para avançar em medidas globais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.” — Sônia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas

Marcha Pelo Clima na COP30 em Belém, 15 de novembro de 2025

Cartas de Incidência Periférica Proliferam na COP30

Além da Carta Política que informou a Cúpula dos Povos e a Declaração da Cúpula e Carta das Infâncias construídas a partir dos dias de deliberação em Belém, numerosos outros movimentos de periferias do poder e aliados lançaram suas cartas com reivindicações em prol da justiça climática. Houveram cartas institucionais de apoio, como a Carta Aberta da Fiocruz: saúde é eixo orientador da ação climática global e Carta Manifesto “A Luta da Saúde Coletiva frente ao Colapso Ecológico” da ABRASCO, e cartas populares, como a Carta COP30 das Favelas*, que fechou a COP30 com 236 signatários institucionais e 710 individuais de 22 estados e 43 países, e as diversas Cartas de Direitos Climáticos pelo Brasil.

Anterior
Anterior

Favela no Centro da Agenda Climática: Retrospectiva 2025 da Rede Favela Sustentável

Próximo
Próximo

‘A Gente Tá Plantando o Futuro’: Mutirão de Reflorestamento no Salgueiro Recupera Área de Queimada e com Risco de Deslizamento com Árvores Frutíferas Nativas da Mata Atlântica