Movimentos de Favelas, Indígenas, Quilombolas, Ribeirinhos e Outros Periféricos do Poder Ocupam Belém Durante a COP30
As manchetes desde a 30ª Conferência do Clima (COP30) em Belém deram destaque às trocas diplomáticas dos governantes e autoridades mundiais na Zona Azul, em particular à falta de um acordo em relação a combustíveis fósseis, desmatamento e financiamento para adaptação. Foram relatados avanços pontuais importantes nas discussões em relação à crise climática, mantendo-se a direção do Acordo de Paris, mas estes não são suficientes para impedir o aumento das mudanças climáticas e, consequentemente, da emergência climática.
Enquanto isso, o que pode ter sido o impacto de maior relevância da COP30 foi pouco registrado como tal nas mídias nacionais e internacionais: a maior participação da sociedade civil na história das COPs e a significância dos seus efeitos cascata que se pôde perceber claramente ao longo do evento. Belém vibrou, durante duas semanas intensas, sob a presença de uma diversidade colorida e pulsante de coletivos provenientes de cada canto, povo e região do Brasil.
Os movimentos de periferias do poder, entre elas uma pluralidade de tribos indígenas—com 5000 indígenas presentes, 400 com acesso à Zona Azul, maior número da história—quilombolas, ribeirinhos e comunidades urbanas, estiveram o tempo todo trocando intensamente. Foram histórias a partir de suas bases e experiências, estratégias de mobilização, dados coletados pelos próprios movimentos, cartas e manifestos, contatos e inspiração: elementos fundamentais para o sustento e crescimento urgente da pauta que determinará a qualidade de vida de todos os seres terrestres que estão e virão.
“A conferência do clima da ONU em Belém entrou para a história como a edição com maior participação indígena já registrada… Os povos indígenas são guardiões do território, do meio ambiente e da vida… O reconhecimento desse protagonismo é essencial para avançar em medidas globais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.” — Sônia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas
Cartas de Incidência Periférica Proliferam na COP30
Além da Carta Política que informou a Cúpula dos Povos e a Declaração da Cúpula e Carta das Infâncias construídas a partir dos dias de deliberação em Belém, numerosos outros movimentos de periferias do poder e aliados lançaram suas cartas com reivindicações em prol da justiça climática. Houveram cartas institucionais de apoio, como a Carta Aberta da Fiocruz: saúde é eixo orientador da ação climática global e Carta Manifesto “A Luta da Saúde Coletiva frente ao Colapso Ecológico” da ABRASCO, e cartas populares, como a Carta COP30 das Favelas*, que fechou a COP30 com 236 signatários institucionais e 710 individuais de 22 estados e 43 países, e as diversas Cartas de Direitos Climáticos pelo Brasil.


